O QUE SOBRA DO ROUBO DE CARGAS

Responsável: Jádina Fratoni Redivo / Paula B. Fragnani Gonçalves

RESUMO

O constante aumento dos roubos de cargas, fazem os prejudicados buscarem resoluções para minimizar o problema. Diante disso, o artigo foi desenvolvido com o intuito de identificar alguns pontos sobre a situação, enfatizando o cenário atual, medidas de prevenção, investimentos e o que está se fazendo para solucionar o problema. É importante a identificação do embrião dessa situação, a fim de buscar sua resolução, pois o que está sobrando além das contas a pagar, são pontos negativos para os cidadãos e a sociedade.

Palavras-chave: Roubo de cargas, TRC, Prejuízos

Nos dias de hoje, o governo não desempenha com eficiência a aplicação dos recursos arrecadados através do recolhimento dos inúmeros tributos.

Existe a falta em vários setores da economia, como saúde, infraestrutura, criação de empregos, economia e principalmente na educação. Essa com papel fundamental para que cada indivíduo se coloque em seu devido lugar na sociedade, exercendo seus deveres, para assim, usufruir de seus direitos. É nesses direitos que as pessoas conseguem ter vida digna e acesso a qualidade dos serviços prestados pelo Estado.

Quando isso não ocorre, as pessoas buscam maneiras de sobreviver ilícitas, infringindo as leis e prejudicando tanto outras pessoas, quanto a sociedade em si. O roubo é um resultado disso, uma maneira mais “fácil” de conseguir dinheiro, que infelizmente está se tornando alarmante.

Neste caminho, temos o transporte rodoviário de cargas. Precário, com estradas sem nenhuma qualidade e falta de segurança, esse ramo vem sendo um dos mais atingidos. Diariamente, presencia-se notícias evidenciando roubos de veículos e também de cargas, como mostra o Diário Catarinense: “A média de roubos de cargas em Santa Catarina cresceu em 2017. Segundo o levantamento da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado (Fetrancesc), foram 129 assaltos somente nos primeiros seis meses do ano. E, se o índice de 1,4 assaltos a cada dois dias permanecer assim, SC irá superar a marca do ano 2016, quando 248 ocorrências do tipo foram registradas no Estado.” As quadrilhas são especializadas em roubar produtos
específicos, pois em 80% dos casos os veículos são devolvidos, e o restante vai para os desmanches, ainda conforme o levantamento da Fetrancesc.

No Brasil, os roubos estão associados a ataques de veículos, em grandes centros urbanos e com quadrilhas fortemente armadas. Houve um aumento de 76% entre os anos de 1998 a 2015 em todo o país. Os estados com maior índice são: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem casos severos. Os prejuízos com os roubos que ocorrem, acabam impactando para os consumidores, que tem de pagar um prejuízo estimado em bilhões para os últimos anos. (1)

Em Santa Catarina a atuação vem em constante aumento, os prejuízos já chegam na casa de R$ 13 bilhões em 18 anos. O roubo de cargas em nosso estado aumentou 274% entre os anos de 2008 a 2017, trazendo uma preocupação imensa. As cargas mais visadas em nosso estado são: cobre, bebidas, carnes, linha branca e ainda o polietileno. As rodovias com maior índice de roubos são as BRs 470 e 101, concentrando mais as ocorrências no Norte do Estado e no Vale do Itajaí.

A insegurança é geral. O que sobra para as empresas é o investimento de um grande percentual financeiro em equipamentos de monitoramento e rastreamento do veículo, gestão de risco, treinamentos, seguranças, escoltas, seguros elevados e outros custos, a fim de tentar minimizar os prejuízos que integram e levam grande parte do faturamento da empresa, prejudicando ainda mais a sua sobrevivência no mercado, e por consequência resulta em menos empregos e mais pessoas no crime.

Assim, torna-se necessário que a empresa invista, também, na prevenção dessas situações com algumas medidas que podem ajudar de forma eficiente a evitar ou prevenir o roubo de cargas. A comunicação constante com o motorista é fundamental para que diante de uma situação de risco, ele possa ter auxilio de mais pessoas. Planejar as rotas com antecedência pode contribuir para que o motorista não dirija em locais desconhecidos, evitando trechos com alto índice de roubos e cumprindo viagens nos horários e locais combinados. Além disso, organizar e programar as paradas em locais conhecidos e movimentados, evitando o trafego noturno.

Geralmente o destino das mercadorias roubadas é o mercado informal. Visando um combate a prática deste crime, nosso Estado realizou a criação da Divisão de Furtos e Roubo de Cargas (DFRC) e a promulgação da Lei 17.405/2017 para cassar a inscrição estadual das empresas receptadoras de carga roubadas. O estado de Santa Catarina, ganha mais força na repressão contra este crime. Nos primeiros meses de atuação, já verificou-se uma facilidade de comunicação entre as empresas ou motoristas com a polícia de SC, para agilizar as ocorrências dos fatos.

Com isso, o que sobra para as transportadoras são contas cada vez mais altas, não sendo apenas financeiras, mas também, a responsabilidade por tentar resolver sozinha, um problema que é de toda a sociedade. Já para os clientes, além do frete mais caro, resta a incerteza da chegada de seus produtos ao destino.

REFERENCIAL TEÓRICO

1 – FETRANCESC – Federação das Empresa de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina.
Fonte 1: FETRANCESC, Fonte 2: NTC&Logística

Fonte 1: FETRANCESC, Fonte 2:Secretaria do Estado de Segurança Pública – dados até 03 de julho de 2017.

Santa Catarina registra Diário Catarinense. Disponível em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2017/07/santa-catarina-registra-129-roubosde-cargas-em-2017-9843377.html. Acesso em Fevereiro 2018.