VENENO, PRODUTOS PERIGOSOS E O COMPORTAMENTO HUMANO

Responsável: Fernando Rabello Natal

Em determinado momento necessitei realizar uma atividade da pósgraduação falando de transportes de produtos perigosos. De acordo com Paracelso, médico e físico do século XVI, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Porém, para produtos perigosos esta relação é muito tênue, uma vez que dependendo do material qualquer, mesmo pequena que seja a contaminação poderá ser muito lesiva a quem entrar em contato, ou até, ao meio ambiente atingido.

Mas onde desejo chegar com o titulo deste artigo?

Assim nesta atividade pude tomar conhecimento através da televisão sobre atitudes de maus serem humanos, que por razões de favorecimento pessoal colocam a vida inclusive de terceiros em risco. Contarei em resumo o que foi visto nos dois jornais e depois esclareço. Em um houve um flagrante de um caminhão em Pelotas - RS que vinha carregado de gordura vegetal do Paraguay para uma fábrica de chocolate em SP. Até aqui nada estranho, porém o caminhão era um tanque que viajara carregado de combustível e voltaria com alimento! No segundo caso, vários flagrantes de caminhões no estado de Goiás transportando produtos perigosos em meio a alimentos. Ou seja, completamente incompatível.

As cenas vistas e noticiadas nos telejornais demonstram o profundo descaso com a saúde humana, ou mesmo a vida. Não faz muito tempo que houveram flagrantes no meu estado de Santa Catarina em que se adulterava o leite com formol. Em um alimento primário, usado principalmente na alimentação de bebês, sendo adicionado um produto cancerígeno altamente prejudicial à vida humana.

As fiscalizações devem acontecer de forma séria e criteriosa a fim de punir os descumpridores das leis. A ANTT deverá ser um agente fiscalizador para favorecer os bons empresários e outros profissionais envolvidos no setor de transportes, realmente assumindo mesmo o já desgastado papel de agência fiscalizadora setorial, mas, sobretudo deixar de ser vista como um inimigo até mesmo dos que se esmeram dia após dia a fazerem certo, e que, além disto, são os únicos punidos por um sistema medíocre e corrupto.

O povo brasileiro de uma vez por todas, necessita de educação, digo isto em todos os aspectos, não somente no que se refere à transporte de produtos perigosos incompatíveis com outras cargas ou acondicionadas em local inapropriado, e além disto, concordo com a entrevistada na época das noticias, Glória Benazzi, que relata que as punições devem ser desestimuladoras de maus comportamentos.

Novamente ressalto que a punição de maneira séria, não como as multas da ANTT de R$5 mil que não se sabe nem mesmo onde foi ou quem fiscalizou, mas em modus operandi realmente honesto e que possa contribuir com o processo evolutivo da sociedade civil organizada como um todo.

Finalmente saliento que o País precisa de regras ou mesmo leis que sejam simples, mas não sejam incompatíveis com a realidade ou mesmo desvirtuem valores de uma sociedade séria. Que sejam claras e que não possam ser interpretadas levianamente ou a favor de um interesse comum de determinado grupo ou pessoa. Que se conheça as consequências do não cumprimento das regras e por fim, que haja as sanções e punições de maneira a frear o mau ato e educar os que tomam conhecimento do fato.
Ao final posso dizer o quão pertinente é este assunto, haja vista que escrevo em abril de 2018 onde um ex-presidente tenha sido condenado e preso, que discordo sob este ponto de vista de Paracelso, que o veneno não está ligado a dose tão somente, mas ao comportamento humano. E acresceria a falta de antidoto para aniquilar o efeito devastador e letal do veneno, como um agravante temerário de qualquer doença tornar-se uma pandemia. Agora resta concluir que o antidoto é tão somente a punição severa e servirá de exemplo em todos os níveis sociais ou setores econômicos nos mais diversos aspectos.