MICROEMPRESA FAMILIAR

Responsável: Kate Machado Mendes / Paula Burato Fragnani

RESUMO

É importante as famílias empresárias conhecerem e compreenderem como nascem suas empresas e como funcionam suas dinâmicas, para enfrentar os vários desafios familiares e profissionais no decorrer de suas atividades. O objetivo geral é analisar o modelo de gestão de uma microempresa familiar. Tendo como objetivos específicos, descrever o relacionamento das pessoas que trabalham em uma empresa familiar, a estrutura de uma microempresa familiar e o processo de gestão.

Palavras-chave: Microempresa. Empresa Familiar. Relações Profissionais.


1 INTRODUÇÃO

É necessário ter sabedoria para levar adiante a empresa familiar, saber claramente separar família, propriedade e empresa, é necessário para superar as dificuldades naturais que sua dinâmica traz. É importante para as famílias empresárias compreender como nascem suas empresas. A partir da compreensão das suas origens pode-se entender melhor o significado da empresa para a família e transmitir às novas gerações a importância do legado que recebem. A microempresa familiar, ou pequena empresa, enfrenta vários desafios, entre eles, a profissionalização e o relacionamento entre os familiares. Ela é diferente em várias formas dos demais tipos de empresas, o relacionamento entre os membros da família numa empresa familiar, são mais delicados do que o relacionamento entre os empregados sem vínculos familiares entre si, visto que, o relacionamento familiar possui uma carga emocional que dificulta muito esse processo, devido a sua complexidade nessas relações é essencial compreender os papéis de cada indivíduo e os problemas de relacionamento, a pequena empresa exige uma gestão esclarecida.


Micro e Pequena Empresa

Pode-se dizer que empresa é uma organização de atividade econômica, genericamente empresa é uma pessoa ou um grupo de pessoas que buscam atingir um objetivo
comum. O Artigo 6º da Lei 4.137, de 10/09/1962, define empresa como toda organização de natureza civil ou mercantil destinada à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer atividade com fins lucrativos. Para HERMANN (2011) “uma empresa é considerada pequena não de acordo com o espaço físico que ocupa e sim pela sua capacidade em gerar riqueza”. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE (2005) aponta preocupação com a sobrevivência das empresas familiares. Essa mesma fonte revela que no Brasil existem cerca de 6 a 8 milhões de empresas de pequeno, médio e grande porte, sendo 90% empresas familiares, tendo grande responsabilidade no desenvolvimento econômico e geração de empregos diretos e indiretos.


Empresa Familiar

Uma empresa é reconhecia como empresa familiar quando dois ou mais membros de uma mesma família são proprietários, ou, operam em conjunto ou por sucessão. Mas para BERNHOEFT (1989, p. 36), “caracterizar a empresa familiar como sendo aquela que tem membros da família parece muito pouco para configurá-la”. Por isso ele afirma que: uma empresa familiar é aquela que tem sua origem e sua história vinculadas a uma família; ou ainda aquela que mantém membros da família na administração dos negócios. Existem autores que desconsideram a ideia de que só é empresa familiar àquela que passa por gerações de herdeiros, acreditam que o fato de investir o dinheiro da família em um negócio já caracteriza como empresa familiar, ele também propõe divisão de categorias. Enfim, para SANTOS (2004, p. 15) “a empresa familiar é caracterizada ainda pela sua hierarquia, planejamento, prioridade, bem como pelos perfis de personalidade de cada membro da família”. GERSICK (1997 apud TAVARES et al 2009 p. 4) apresentam outra forma de classificação, comentando que, depois da primeira geração, não há apenas nos proprietários, mas também na forma de propriedade, que passa a ser mais diluída. Os autores diferenciam as empresas familiares, segundo a estrutura de propriedade, em três tipos:

a) proprietário controlador: a propriedade é controlada por um dono;

b) Sociedade entre irmãos: o controle acionário pertence a um ou mais irmãos, geralmente ocorrendo na segunda geração familiar;

c) Consórcio de primos: controle da empresa exercido por primos de diferentes ramos da família, normalmente atingindo na terceira geração.


Este tipo de empresa carrega consigo características próprias que as diferencia dos demais tipos de empresas existentes.


Relações Profissionais e Afetivas na Empresa Familiar

Para administrar uma empresa familiar é necessário consenso dentro da família ao tomar decisões e ao passarem estas para o corpo de gestores, agindo desse jeito evita-se o choque envolvendo objetivos da família e da empresa, o que poderia levar ao fim desta organização. Para que a empresa possa ter vida longa, é necessário que se tenha ambiente organizado, com cargos bem definidos, com funções bem definidas, para os membros da família de forma bem clara. Por isso é importante realizar uma análise aprofundada do ambiente externo e interno, desenvolvendo um trabalho que posso unir todos os setores da empresa como um todo. Os relacionamentos entre membros da família numa empresa são mais delicados do que os relacionamentos entre empregados sem vínculos familiares entre si. Seus papéis variam dependendo da formação e experiência de cada um. Independentemente de como a empresa está organizada, ambos são partes integrante do negócio. Para crescerem, as empresas familiares devem reconhecer que a gestão profissional é necessária e que os interesses da família devem às vezes ser colocados em segundo plano. A saúde e a sobrevivência de uma empresa de família exigem que a devida atenção seja dada tanto aos interesses do negócio quanto aos interesses familiares, bem como ao equilíbrio adequado desses interesses. Do contrário, pelo menos no longo prazo, os resultados serão insatisfatórios para ambas as partes. Um tipo de empresa familiar comum é aquela em que o fundador planeja passá-la para o filho, o ingresso dos filhos na empresa representa um novo momento para as famílias. Em famílias com vários filhos, dois ou mais podem estar envolvidos no negócio da família, de acordo com o interesse de cada um. Mesmo aqueles que não fizerem parte da empresa, terão um certo interesse por causa da parcela de herança.


Conclusão

O presente artigo proporcionou um conhecimento mais aprofundado sobre micro e pequena empresa familiar, como se dá as relações profissionais, mostrou que mesmo sendo uma empresa familiar é necessário a profissionalização, organização, cargos e funções definidos.
O consenso dentro da família é fundamental na tomada de decisões e a forma de passarem estas para o corpo de gestores para não comprometer os objetivos e desempenho da empresa e a sua continuidade.

 

Referências

BERNHOEFT, Renato. Empresa Familiar: Sucessão profissionalizada ou sobrevivência comprometida. São Paulo, Nobel, 1989. p. 179;

HERMANN, Ingo Louis. Introdução à gestão de micro e pequenas empresas: livro didático / Ingo Louis Hermann, Thiago Coelho Soares; design instrucional Viviane Bastos; [assistente acadêmico Jaqueline Tartari]. – 1. ed., ver. e atual. – Palhoça: Unisul Virtual, 2011. 144p.: 28 cm;

LONGENECKER, Justin G. et al. Administração de pequenas empresas. Tradução da 13ª edição norte-americana. Oxbridge centro de idiomas. São Paulo: Cegage Learning, 2011;

SANTOS, Paulo Domingos Chaves dos. Cultura, poder e conflito nas organizações familiares. Campo Grande, MS: Ed. Uniderp, 2004. p. 63;

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS - SEBRAE. Pequenas Empresas Grandes Negócios: MPE’S. Disponível em: <http://www.sebrae-sc.com.br/newart/default.asp?materia=15710>. Acesso em: 11 out. 2013;