TERCEIRIZAÇÃO DA MORAL

Responsável: Jácomo João Isotton Neto

Desde o surgimento das primeiras sociedades primitivas, o primeiro grande dilema enfrentado pelos primeiros indivíduos que se relacionavam em grupos e, por incrível que pareça os mesmos desafios até hoje, resguardado o nível de complexidade, foram estabelecer os preceitos mínimos para conviver em grupo de forma pacífica e próspera.

Assim sendo lá no início e sucessivamente na formação das primeiras famílias, grupos, tribos, culturas, sociedades e finalmente, a humanidade globalizada como um todo, nós viemos crescendo continuamente, nos relacionando e miscigenando.

Por consequência e naturalmente essa interação faz com que ocorram a aparição de inúmeras desarmonias que só podem ser sanadas com a criação de regras pariformes entre todos esses seres humanos. Um sistema de leis criados pelos próprios cidadãos que tenham como objetivo a conciliação e a paz. Exemplo dos nossos sistemas democráticos de hoje.

Nesse modelo institucional, praticado pelos países mais evoluídos, muitos foram as iniciativas e ações no sentido de fortalecer a equidade e a justiça com leis para regular essas relações entre as pessoas. Como a constituição dos países, seus códigos e demais leis ordinárias.

Porém, esses processos envolvem diretamente os seres humanos, sua consciência e adaptação. E tudo leva muito questão de tempo. Principalmente quando o aprimoramento evolutivo não se trata de uma pessoa específica, mas de uma consciência coletiva de um grupo ou de uma sociedade inteira de indivíduos. Fazendo muitas vezes que ocorram retrocessos ou que as pessoas não sigam esses preceitos legais que foram definidos em prol dessa justiça e, por consequência, da paz entre elas mesmas. Percebendo isso, criamos e fortalecemos as instituições, sua capacidade fiscalizatória, criamos dispositivos de transparência, investimos na educação, etc.. Entretanto, muitas vezes com resultados vagarosos e em alguns casos ineficientes.

É nesse momento que as tecnologias podem nos ajudar a nos desenvolvermos de forma mais vertiginosa nesse âmbito. Nesse contexto então, nos perguntamos: porque a tecnologia não pode também auxiliar-nos no fortalecimento e zelo dessas relações entre as pessoas, que já lá desde o início, nas primeiras formações de grupo de indivíduos, já era o grande desafio e que continua sendo na formação de toda humanidade?

Resultados mais céleres e eficazes já são vistos por exemplo em campos onde a tecnologia é mais presente. Onde podemos evidenciar de forma mais efetiva em áreas como da medicina, engenharia, indústria, serviços, automação.. entre outros.

Entendemos que a tecnologia por si só é desprovida de essência, espírito, alma, como prefiram definir. Ou que ainda assim estaria subjugada aos homens. Todavia, devemos lembrar que ela é muito mais incansável, imparcial e eficaz do que nós mortais! E ainda temos a tecnologia com a evolução de todas suas vertentes como: RFID (Radio-Frequency Identification), Telemetria, Vídeo Monitoramento, todas as tecnologias AVL (Aut. Vehicle Location), IoT (Internet of Things), Nanotecnologia, Big Data, Tecnologias Prescritivas e Cognitivas, AI (Artificial Intelligence), que serão elas capazes de aprender, evoluir e nos ajudar de forma mais rápida do que qualquer grupo de indivíduos.

E só os sistemas computadorizados autônomos possuem a incansável e impecável habilidade de fiscalizar ou monitorar todo grupo de indivíduos ou coisas sem falhas ou exceções de forma justa. Processo muito mais abrangente, imparcial e justo que as fiscalizações humanas por amostragem de hoje em dia.

Pegamos o exemplo o Brasil, que passa por um dilema muito grave de falta de assistência para população e ao mesmo tempo uma enorme carga tributária cobrada de seus cidadãos.

Um estudo elaborado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) mediu a carga tributária cobrada por cada país e comparou com o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que mede a qualidade de vida e o bem-estar da população. Essa conta deu origem ao IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), para medir o retorno recebido pelos seus cidadãos sobre os impostos que são pagos por eles.

O resultado apresentado deixou evidenciado que o Brasil salta entre os primeiros países que mais cobram impostos dos seus cidadãos. Quando consideraram o que pagamos de imposto e o retorno que recebemos do Estado e, quando adicionamos o que temos que pagar como custos adicionais em saúde, educação, segurança, entre outros, por exemplo, a relação fica estarrecedora. Estes estudos mostraram portanto que o Brasil é o país que mais cobra impostos no mundo! O IRBES mostra exatamente isso, quanto os cidadãos no mundo pagam de impostos e o quanto recebem de retorno dos seus países. Veja a baixo:

RESULTADO OBSERVADO

O resultado observado é preocupante. Com uma carga tributária de 35% do PIB o Brasil, nosso pais, tem um IDH de 0,744, em um índice vai de 0 a 1. Estamos atrás, por exemplo, da Argentina e Uruguai, país irmãos e vizinhos do Brasil.

Portanto é mais do que evidente que o estado não precisa e nem pode cobrar mais impostos, correndo o risco de colapsar todo sistema. Mas ao mesmo tempo precisa encontrar alternativas para atender as necessidades básicas de seus cidadãos para que não ocorram conflitos e que a paz seja preservada. E mesmo tomando iniciativas boas que permitam a retomada do crescimento do país, elas não serão longevas se não forem sustentadas em alicerces muito consistentes.

Gestão de governos anteriores mostraram que o crescimento por si só não é garantia de sucesso ou estabilidade econômica. O crescimento é sem dúvida um caminho importante para saída de uma crise, mas não é a solução singular
e com o fim em si mesma. Isto é, se essas ações não vierem acompanhadas de fundações sólidas e sérias, elas se tornam muito frágeis. Bom, a história nos mostra isso com o apogeu e decadência das inúmeras civilizações e países que já foram protagonistas em determinados momentos de nossa história e que posteriormente faliram ou foram superados por outros.

É nesse contexto e encruzilhada, entre elevada arrecadação e grandes necessidades básicas da população, que a tecnologia pode nos ajudar. Nos auxiliando a acompanhar e fiscalizar tanto os setores públicos e privados de nossa economia. Para que nas relações de arrecadação, no viés privado, e empregabilidade dos recursos, no viés público, deixem o Estado mais eficiente, transparente, probo e, por consequência, melhor gerido!

Na esfera privada, já temos inúmeras soluções e projetos em andamento, como por exemplo: OCR, ECD, ECF, CTE-E, MDF-E, DANF, E-SOCIAL.. etc.. Soluções que por sinal, em alguns casos atrasadas ou ainda não completas, mas que precisam ser implantas para dar credibilidade ao mercado, para corroborar as boas práticas e principalmente dar esperança aos cidadãos de bem!

Muitos países como o Japão e EUA investem muito nos controles tecnológicos, tanto na esfera privada quanto na esfera pública. Isso talvez seja uns dos segredos de serem por tanto tempo países com sólidas bases de crescimento e de larga hegemonia por vários anos.

Por isso, para sairmos desse nó górdio, basta vontade política e agirmos!

Porque no final todos nós já sabemos: os impostos atingem a todos nós, sem exceções. E todos, tanto os brasileiros na área pública quanto na área privada, pagamos por tudo isso! Afinal o último elo da corrente é sempre e, invariavelmente, todo o cidadão brasileiro.

Em alguns encontros de tecnologia procuro observar em “startups” ou nas empresas mais antigas e consolidadas em tecnologia, soluções ligadas a áreas públicas. Tanto para o auxílio e transparência no controle interno das instituições públicas quanto do controle público para com o privado. Já presenciei algumas alternativas bem interessantes, mas ainda muito aquém da grandeza das oportunidades e do tamanho que é o Estado – que convenhamos, está muito grande.

Logo, a necessidade e carência do Estado Brasileiro da necessidade de ajuda nesse sentido é enorme. E ainda pergunto, espreitando os últimos momentos políticos e públicos, se não é de se indagar se não seria bastante oportuno refletirmos como podemos evoluir e se as soluções tecnológicas poderiam mesmo nos ajudar? Lanço até aqui um desafio às mentes brilhantes que temos nesses país, muitos até gênios na área tecnológica, se a tecnologia pode nos acudir nisso. Ou não pode?

Voltamos a reforçar que nesse artigo não pretendo fazer uma apologia à Tecnologia em detrimento das pessoas. Pelo contrário, queremos mostrar que a tecnologia pode nos auxiliar e muito nos processos para que nós dediquemos nosso tempo e foco exatamente nas pessoas. Mesmo porque ainda precisaremos das pessoas de bem para que essas boas práticas sejam implementadas.

A história nos mostra, com uma série de exemplos, que as inovações tecnológicas nos auxiliaram e n os auxiliam e muito no nosso dia a dia e em toda evolução científica, então porque não também em manter essa imprescindível harmonia na relação entre os homens, como discorremos nesse texto. Com o objetivo de garantir ao mesmo tempo a prosperidade e a paz entre as pessoas.

Portanto vale a reflexão, se a tecnologia pode nos ajudar nessas relações entre os homens, no zelo da equidade, transparência, da justiça e na sua paz ao monitorar e fiscalizar nossas seculares e atávicas fraquezas humanas.