OS IMPACTOS DA MOBILIDADE URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO PARA A DISTRIBUIÇÃO DE CARGAS: O OLHAR DAS EMPRESAS DE TRANSPORTES DE CARGA

Responsável: Jonas J. Ferronato

A mobilidade urbana atualmente é considerada um desafio, principalmente pelo crescimento das frotas de transporte e da falta de planejamento urbano para suportar a crescente população em muitos municípios, principalmente em grandes centros como a cidade de São Paulo. Desta forma o estudo da mobilidade urbana é fundamental para o desenvolvimento e gerenciamento dos grandes centros, principalmente no tocante à distribuição de cargas devido a sua fundamental importância para a economia. Entretanto, as diversas dificuldades enfrentadas pelas empresas de transporte e distribuição de cargas, como restrições, falta de vagas e infraestrutura de carga e descarga e grandes congestionamentos, tem amentado os custos do transporte e agravado os impactos sobre a mobilidade urbana e a população na cidade de São Paulo. Assim esse estudo visou analisar a situação da distribuição de cargas e identificou as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas de transporte na distribuição de materiais na região metropolitana de São Paulo e quais possíveis soluções para amenizar seus impactos tanto para as empresas quanto para a mobilidade urbana na cidade Para tal foi elaborada uma pesquisa on line com algumas empresas ligadas ao transporte e distribuição de materiais na região metropolitana de São Paulo. O questionário da pesquisa, aplicado de forma on-line, teve a participação de 28 empresas ligadas ao transporte de carga fracionada que atuam na região metropolitana e na cidade de São Paulo. O questionário na íntegra, aplicado na pesquisa on-line, encontra-se no final do artigo. O questionário contou com perguntas abertas e fechadas e assim apareceram os resultados:

Quando questionadas sobre quais as maiores dificuldades encontradas pela empresa quanto à distribuição de materiais e que, de forma direta, mais impactam em seus nos custos operacionais, aproximadamente 61% das empresas responderam que o recebimento precário, que resulta em filas ou tempo excessivo de descarga, como por exemplo, falta estrutura apropriada para descargas ou pessoal preparado, como fator de maior impacto sobre os custos operacionais. O segundo fator que mais dificulta a distribuição e que impacta diretamente nos custos, segundo a pesquisa, foi a ausência de vagas para estacionar, relatada por mais de 57% das empresas ouvidas. Os congestionamentos aparecem em terceiro lugar, de acordo com 53,5% das empresas entrevistadas; e as restrições à circulação de veículos com capacidade de carga maior no centro da cidade, como fator que impacta nos custos de 42,8% das empresas. Tais fatores impactam fortemente sobre os custos operacionais, pois acarretam em uma diminuição na produtividade dos veículos, ocasionado, em alguns casos, na necessidade de uma frota maior para compensar essa menor produtividade. O Gráfico 01 apresenta todos os fatores selecionados pelas empresas e suas respectivas porcentagem sobre o impacto que as dificuldades de distribuição têm sobre os custos operacionais das empresas.

A pesquisa também questionou as empresas quanto à cobrança de taxas adicionais que visam compensar as dificuldades nas entregas. Essas taxas referem-se, por exemplo, a cobrança de estiva (demora na carga ou descarga), restrição à circulação dos veículos, dificuldades de acesso à região e até mesmo, em alguns casos, por se tratar de regiões com risco de segurança, taxa devido ao risco de roubo. Apesar das empresas reconhecerem diversas dificuldades quanto à mobilidade urbana e a distribuição de cargas, um pouco mais da metade das empresas entrevistadas, 51,8%, não cobram taxas adicionais de entrega, ou seja, das 27 empresas que responderam a esta questão, 14 delas não cobram nenhuma taxa a mais para a distribuição em regiões com dificuldades de entrega ou acesso.

Outra questão que trouxe dados interessantes foi quanto ao controle e ao gerenciamento dos custos adicionais que as dificuldades encontradas na distribuição de cargas em grandes centros como a cidade de São Paulo têm para as empresas. Além de reconhecerem as dificuldades de entrega, das 28 empresas abordadas, 17 delas, cerca de 61%, tem o controle e realizam cálculos frequentes dos custos adicionais que as dificuldades de entrega têm sobre as operações das empresas. Mas, como visto na questão sobre cobrança das taxas adicionais, as empresas não cobram nada a mais por isso. Dentre as 28 empresas que responderam sim ao controle dos custos adicionais, 16 delas relataram, de forma aberta, a faixa de valor ou a porcentagem que tais custos têm em relação ao frete cobrado do cliente. Dos mais relevantes, 8 delas calculam que os custos em relação ao valor do frete cobrado ficam entre 3% e 20% e 3 delas acima dos 20%. O Gráfico 02 traz os principais valores obtidos na pesquisa. Em relação ao faturamento, a pesquisa questionou as empresas, também de forma aberta, sobre qual seria o percentual que os custos com dificuldades de distribuição em grandes centros têm sobre o faturamento da empresa, dentre as 28 empresas questionadas, 22 responderam. Dentre os valores mais indicados, 06 empresas disseram que tais dificuldades impactam em 10% sobre o faturamento da empresa e 05 disseram que impacta em 20%. O Gráfico 03 traz as demais resposta relacionadas ao impacto que as dificuldades de entrega têm sobre o faturamento das empresas.

Gráfico 01- As dificuldades para a distribuição que mais impactam sobre os custos.

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Levando em consideração que setores nos quais, assim como o de transporte de cargas, ter como foco a otimização de custos operacionais, torna-se um fator importante para a empresa obter vantagens competitivas frente aos concorrentes. Diante deste quadro e reconhecido que as dificuldades de distribuição em grandes centros impactam diretamente nos custos e no faturamento das empresas, quando perguntado a elas se tais dificuldades atingem diretamente a sua competitividade, das 27 empresas que responderam a esta questão, 70% delas responderam que sim.

Para saber quais foram as ações tomadas pelas empresas diante às dificuldades, a pesquisa questionou quais foram as medidas que as empresas encontraram para amenizar os impactos dessas dificuldades. Entre algumas ações, foram listadas a otimização de custos, roteirização e de carregamento máximo por veículo e a terceirização da frota, foram algumas ações listadas, além de aquisição de novos veículos que otimizassem as operações. O quadro com todas as ações tomadas pelas empresas entrevistadas consta no final deste artigo. Assim, visando saber como as dificuldades de mobilidade urbana e das entregas dentro de grandes centros como São Paulo impactaram também no que diz respeito à adequação das empresas frente às dificuldades como a restrição à circulação de veículos maiores no centro da cidade e as dificuldades no processo de carga e descarga, foi questionado se em algum momento a empresa necessitou de investimento em novos equipamentos. Em resposta, cerca de 81% das empresas entrevistadas disseram ter investido em novos tipos de veículos e equipamentos para adaptar-se às restrições e às dificuldades na distribuição, como mostra o Gráfico 04.


Gráfico 04 – Necessidade de investimento em novos tipos de veículos

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Buscando saber, na visão das empresas, quem seriam os maiores responsáveis pelas dificuldades de mobilidade urbana e na distribuição, foi pedido que indicassem, entre as opções dadas, quais seriam esses responsáveis e como eles afetam a dificuldade da mobilidade urbana na cidade de São Paulo dentro de uma escala de 0 a 10. Na grande maioria das respostas obtidas das 28 empresas entrevistadas, governos e órgãos de trânsitos são os maiores responsáveis e os que mais afetam a mobilidade dentro da cidade de São Paulo, ambos entre 8 e 9. O Gráfico 05 mostra as respostas obtidas com maior clareza.


Gráfico 05 – Principais responsáveis pelas dificuldades de mobilidade.

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Complementando a questão sobre os maiores responsáveis pelas dificuldades de mobilidade urbana e na distribuição de materiais na cidade de São Paulo, foi perguntado também o quanto os responsáveis elencados no gráfico acima afetam a mobilidade urbana e dificultam a distribuição na cidade. A Tabela 01 mostra, segundo a opnião das empresas entrevistadas, o quanto cada um dos responsáveis elencados aafetam a mobilidade urbana e dificultam a distribuição

Tabela 01 – Escala de responsabilidade

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Para finalizar, a pesquisa questionou cada responsável pela distribuição e logística das empresas quanto às possíveis propostas para a melhoria da mobilidade urbana e abastecimento dentro dos grandes centros e do processo de logística e distribuição de cargas fracionadas. Das 28 empresas entrevistadas, 21 respoderam a esta questão e entre algumas das possíveis propostas estão a definição de estacionamentos e vagas demarcadas para carga e descarga, revisão dos horários das retrições e quanto ao tamanho dos veículos autorizados a utilizar algumas vias e melhoria do transporte público, visando a diminuição dos veículos no trânsito. A descentralização dos grandes destinatários inseridos em áreas de restrição dentro dos grandes centros urbanos, além de adequação das empresas quanto a locais apropriados para carga e descarga e possíveis centros de distribuição, em parceiras com outras empresas para tranferência entre regiões, que ajudaria na pulverização das entregas, entre outras. O quadro com todas as propostas apresentadas pelas empresas entrevistadas consta no final deste artigo (Questão 9). 

Conclusão 

A importância de politicas de mobilidade urbana se torna cada vez mais imprescindível para evitar a saturação do transito nos grandes centros urbanos. A essa importância se faz necessário ações que contemplem todos os atores envolvidos no processo e que as decisões sejam tomadas, ouvindo-os e de forma que nenhum seja penalizado de alguma maneira. Neste estudo visou identificar, junto às empresas de transportes de cargas fracionadas quais os principias obstáculos que os empresários enfrentam, diariamente, na região metropolitana da cidade de São Paulo e quais as possíveis soluções, na visão das empresas, que poderiam amenizar os impactos sobre os custos das operações de distribuição de cargas, sem interferir nos processos dos demais atores envolvidos no processo de mobilidade urbana. Foi possível identificar que para a grande maioria das empresas ouvidas, 61%, sofrem com a precariedade de estruturas para carga e descarga. Sofrem também com falta de vagas para estacionar e fazer a coleta ou descarga de matérias e, ainda, pela forma com as que as politicas de restrições, quanto a tamanho de veículo e horário de circulação, não promoveram maior mobilidade e ainda sobrecarregou as áreas restritas com excesso de veículos de carga de pequeno porte. Fatores estes que impactam diretamente sobre os custos do transporte, penalizando o setor com a baixa rentabilidade do seu capital investido. Analisando essa situação podemos refletir que tais dificuldades possam ser oriundas da falta de participação de todos os envolvidos no processo de mobilidade urbana de um grande centro nos debates quanto às decisões acerca das mudanças ocorridas no durante o desenvolvimento e crescimento das grandes regiões metropolitanas como São Paulo. A falta de diálogo entre o comércio e as indústrias com as empresas de transportes, entre governo e entidades ligadas ao transporte e distribuição de cargas, ou seja, falta diálogo antes das decisões que buscam solucionar, ou pelo menos amenizar os problemas de mobilidade enfrentados na cidade de São Paulo. Também podemos citar a falta de colaboração dos governos, a falta de um planejamento estruturado e previamente elaborado para o desenvolvimento da mobilidade urbana na cidade de São Paulo.

O crescimento populacional foi desordenado, com poucos investimentos em infraestrutura, e o resultado é o surgimento de novas regras e restrições de circulação para veículos de carga, que influencia diretamente a economia do comércio e indústria, pois o aumento dos custos é praticamente inevitável. Ainda que as informações coletadas mostrem apenas uma parte da dinâmica do mercado da cidade de São Paulo, temos a expectativa de que o trabalho possa servir de base para outras pesquisas, projetos, artigos científicos e estudos, que venham orientar e buscar novas propostas e soluções para o segmento de transporte rodoviário de cargas fracionadas no segmento de abastecimento porta a porta em grandes centros.

Apêndice
 Modelo do questionário utilizado na Pesquisa on line

1) Assinale quais são as maiores (ou as três maiores) dificuldades para a distribuição de materiais de seus clientes que impactam diretamente nos custos do transporte para a distribuição de seus materiais ou de seus clientes.
( ) Obrigatoriedade de descarga paga no destinatário
( ) Solicitação de agendamento prévio
( ) Recebimento por ordem de chegada independente da quantidade
( ) Recebimento precário que gera filas e tempo excessivo na descarga
( ) Exigência de separação de itens no recebimento
( ) Exigência de tripulação superior à do veículo
( ) Disposições contratuais que agravam o custo operacional
( ) Congestionamentos no trânsito
( ) Ausência de vagas para estacionar
( ) Restrição à circulação de veículos maiores no centro da cidade
( ) Restrição à circulação por placa de veículos em determinadas localidades
( ) Restrição à circulação de veículos em determinados horários
( ) Infraestrutura precária das vias, principalmente em dias chuvosos
( ) Equipe noturna devido às restrições

2) Sua empresa cobra valor adicional por essas dificuldades ?
( ) sim
( ) não

3) Você tem controle e faz cálculos dos custos adicionais devido a essas dificuldades ?
( ) sim
( ) não
Se sim, qual é o percentual adicional ou taxa adicional no valor do frete ? ____________

4) Qual a porcentagem que o custo com as dificuldades para a distribuição em grandes centros tem sobre o faturamento da empresa? __________%

5) Essas dificuldades atingem diretamente a competitividade de sua empresa?
( ) sim
( ) não

6) A sua empresa necessitou, em algum momento, de investimentos em novos tipos de veículo para se adaptar às restrições ou às dificuldades na distribuição?
( ) sim
( ) não

7) Quais ações foram tomadas para amenizar o impacto nas operações?
______________________________________________________________________ ____

8) Na sua opinião quem são os responsáveis por esse impacto? 

( ) Governos ( Municipal, Estadual ou Federal)
( ) Órgãos de Trânsito
( ) População
( ) As empresas
( ) O comércio
( ) Outros:___________________________________________________________

9) Quais são suas propostas para melhorias ?
______________________________________________________________________ _____

ÍNTEGRA DAS RESPOSTAS
 Íntegra da Resposta Questão 3 - Ações Para Amenizar o Impacto das Dificuldades.

Ações Para Amenizar o Impacto das Dificuldades Revisão dos custos

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Íntegra da Resposta Questão 9 - Propostas de Melhoria da Mobilidade Urbana.

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