A CRISE DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO ESTÁ LONGE DE TERMINAR

Responsável: Josué Antonio Zimermann

A paralisação dos caminhoneiros autônomos, que teve apoio inicial da opinião pública, dos transportadores, e até mesmo dos embarcadores – que foram os maiores prejudicados pelo movimento – foi um grito de socorro de um setor que vem sendo castigado nos últimos anos pela mão pesada do governo, que atua onde não deve atuar e se omite onde deveria tomar atitudes. Toda nossa Economia passa por um período extremamente duro, mas os setores de Logística em geral, e o de Transporte Rodoviário em particular, foram penalizados acima do normal.

Se por um lado até certo ponto apoiamos o movimento, pois mostrou a união espontânea de uma categoria para um objetivo comum que solidarizou praticamente toda a nação por um período, por outro sabemos que com certeza ele foi inócuo.

Em algumas partes podemos analisar o que aconteceu para chegarmos a este ponto, detalhar porque o movimento – independentemente das concessões conseguidas – não terá resultados, propor soluções que devem ser analisadas, discutidas por todos os players do setor e encampadas ou não em futuras propostas a serem encaminhadas ao legislativo e aos órgãos de regulação.

Em primeiro lugar, iremos simplesmente desconsiderar a medida de tabelamento do frete mínimo. É impressionante que, mais de 32 anos depois do Plano Cruzado, e vários planos econômicos depois, alguém ainda acredite em tabelamento, que simplesmente não irá funcionar.

Como explicar porque a redução do preço do diesel e o encerramento da cobrança de pedágios sobre eixos suspensos não irão beneficiar os caminhoneiros autônomos no médio prazo. E esta explicação é simples: com o setor todo passando por problemas, todos buscarão recompor suas margens, e o autônomo é o último elo dessa corrente.

Em um primeiro momento, estimado de 2 a 3 semanas, os autônomos serão beneficiados. A diminuição do preço do diesel nas refinarias e o encerramento da cobrança de pedágios sobre os eixos suspensos irá diretamente para o bolso dos mesmos, pois todo o restante da cadeia estará na ressaca desta paralisação inédita e temeroso em dar um passo mais agressivo. Mas, logo em seguida, os Postos de Combustível, que estão com suas margens achatadas, irão pegar para si um naco desse ganho. As transportadoras – que são na prática os contratantes dos autônomos – estão na mesma situação, e junto com os Postos irão buscar recompor suas margens baixando o frete repassado aos autônomos, buscando dividir este ganho com os mesmos. Como esse movimento será pulverizado (são milhares de Postos de Combustível, milhares de Transportadoras e centenas de milhares de autônomos), não haverá ações simultâneas e coordenadas, e não haverá reação significativa e conjunta dos autônomos a este movimento.

Logo em seguida aos movimentos descritos, virá o principal: os embarcadores, que são os reais contratantes do frete, começarão o movimento de baixar o frete ofertado, e o setor cairá novamente na mesma situação atual. E a raiz desse problema é definitivamente o excesso da oferta de veículos de transporte.