A GANGORRA NO PREÇO DO DIESEL E O SEU REFLEXO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

Responsável: Allan Christie Lemos da Silva

 Em meados dos anos 2017 a Petrobras alterou a forma dos preços no derivado do petróleo, acompanhando assim o mercado externo brasileiro no qual o barril é negociado por dólar. A estatal associou essa mudança a competitividade no mercado internacional, porém não agradou o mercado interno visto que os preços são alterados diariamente para o consumidor final.

Após essa tomada de decisão, a estatal começou a reajustar diariamente os valores, não demorou muito para o reflexo dessa medida emergir, resultando nas bombas de combustível. No começo de 2018 o Diesel estava sendo vendido a R$ 1,81 nas refinarias e rapidamente alcançou a marca de R$ 2,37, um aumento de 32% em 3 meses. Ao atingir essa marca foi inevitável uma bomba relógio explodiu gerando a Greve do Caminhoneiros, ato que fiou marcado na história do Brasil e parou completamente. Bastou alguns dias de paralisação para que os efeitos dos transportes provocassem grandes impactos na população e na economia, começou a faltar alimentos, remédios, combustíveis entre outros insumos necessários no dia a dia. Na econômica, segundo alguns especialistas o prejuízo foi de aproximadamente 50 Bilhões de em reais, apenas com 10 dias de greve realizada.

Algumas das principais reivindicações dos trabalhadores, era o tabelamento de frete, inserção de pedágio para eixo erguido e principalmente a redução do óleo diesel, representando a maior fatia de custo dos caminhões. Após alguns dias de negociações entre representantes da classe e governantes, a greve se deu por encerrada e várias reivindicações foram aceitas, na época a Petrobras congelou o valor da refinaria por 15 dias.

O reabastecimento demorou para normalizar e após período de congelamento de Diesel, os valores voltaram a praticar o efeito gangorra no mercado brasileiros. Entre a greve e os dias atuais, tivemos a troca de governantes e a partir desse momento foi anunciado pela Petrobras os reajustes que passariam de diariamente para quinzenal como está estabelecido até hoje. No mês presente, setembro de 2019 a estatal repassou três aumentos consecutivos nas refinarias, totalizando R$ 0,20 e chegando ao patamar de R$ 2,26, muito próximo aos valores que antecederam a greve de 2018 e o feito foi sentindo de perto por todos e causaram bilhões de prejuízos na economia. As refinarias repassando esse aumento aos distribuidores, espera-se que o valor nas bombas possa chegar a R$ 0,32 por litro.

 DIESEL

Fonte: Petrobras

A pergunta que fica no ar: Vamos novamente esperar a bomba estourar e amargar mais prejuízo para economia?

Novamente estamos no fio da navalha, aonde a disparada nos últimos dias no aumento do diesel, pode ocasionar novamente um grande transtorno a todos, por enquanto não se houve falar em greve, mas tantos autônomos e empresários não estão nem um pouco satisfeito com a maneira que vem se tratando o transporte rodoviário, além disso, vale destacar que representamos 63% do modal utilizado para o escoamento de carga pelo país.

O Brasil está passando por um momento de restruturação política e econômica, uma possível greve tornaria uma avalanche de prejuízos financeiros que tivemos no passado recente, o diálogo nesse momento é inevitável para evitar um colapso novamente. A grandeza do transporte rodoviário brasileiro e de sua importância para o movimento da economia brasileira não pode ficar de tempos em tempos passando por essa gangorra, necessita uma coerência e atenção especial ao setor.

Referências Bibliográficas

PERDAS CAUSADAS POR PARALISAÇÃO JÁ ATINGEM 50 BILHÕES. EXAME. Disponível em: https://exame.abril.com.br/economia/perdas-causadas-por-paralisacao-ja-atingem-r50-bilhoes/. Acesso em 22/09/2019.

PREÇOS DE VENDA A DISTRIBUIDORAS. PETROBRAS. Disponível em http://petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/precos-de-venda-as-distribuidoras/. Acesso em 22/09/2019